Going to Ireland
June 22, 2008
Fui ali ser feliz. Mais tarde eu volto.
Lost in Paris
June 21, 2008
É se perdendo que a gente se encontra, certo? Sinceramente, Paris é um dos melhores lugares do mundo pra se perder (e eu sempre tenho a sensação de aqui a gente encontra tudo, inclusive aquilo de que não precisávamos e pela qual procurávamos - que bobinhos - sem saber).
Mas que delícia sentir o cheiro dessa cidade outra vez!
Free
June 20, 2008
e o que há pouco era carga e peso de chumbo, foge voando como borboletas ou bolhas de sabão
Another one is gone
May 17, 2008
E hoje Salvador perdeu a Zélia Gattai. Nascida em São Paulo, foi aqui que ela fincou raízes por mais de quatro décadas.
Conheci sua casa no Rio Vermelho, anos atrás, numa insólita perseguição ao falecido Jorge Amado. Um dia memorável…
Pra quem nunca esteve em Salvador a notícia não tem peso algum, verdade, mas pra qualquer soteropolitano ou visitante mais assíduo essa personagem é emblemática. Famosíssima Dinha, que renomeou uma praça e transformou um bairro. O acarajé da Dinha, considerado por muitos o melhor da cidade, fez pulsar forte uma das mais simpáticas veias da noite bahiana. Tanta cerveja tomada na Dinha (sim, porque quase ninguém sabe o real nome da praça - e nem precisa, ela é e sempre será a praça da Dinha)! Uma pena, eu simpatizava muito com ela. Sempre achei a bahiana, com turbante na cabeça e saia branca rodada, uma das mais belas figuras da cultura local.
3
May 10, 2008
And I want more.
About words and loving them
May 3, 2008
Amar as palavras nunca foi novidade pra mim. Como podemos pensar, criar, SER sem as palavras? Cada pequena coisa que sabemos ou sentimos nos chega, de uma maneira ou de outra, através delas. E as pessoas sabem que só somos pessoas porque as palavras nos pertencem - ou somos nós que pertencemos a elas?
John (o Apóstolo, não o Beatle) começa sua criação do mundo da forma mais bonita possível:
In the beginning was the Word, and the Word was with God, and the Word was God.
E depois, o mesmo Deus que possuía a palavra a fez tornar-se carne. Mesmo os que não acreditam (e talvez eu me inclua totalmente nesse grupo) admitem, isso é lindo. O conceito de um Deus-poesia, que cria através do Verbo, me faz amar ainda mais - não ao Deus criado, mas ao poder infinito das palavras.
Uma imagem vale mais do que mil palavras, eles dizem. Mas sem as palavras, de que me valeria uma imagem? Como a imagem poderia ser descrita, criticada, eternizada? Sem palavra que a valide, a imagem se perde em olhos mudos.
Lendo Harland a caminho de casa, o sorriso me toma por inteiro. No final, somos nós que pertencemos à Palavra.
The individual absorbs language before he can think for himself: indeed the absorption of language is the very condition of being able to think for himself. The individual can reject particular knowledges that society explicitly teaches him, he can throw off particular beliefs that society forcibly imposes upon him - but he has always already accepted the words and meanings through which such knowledges and beliefs were communicated to him… They lie within him like an undigested piece of society.
“Shutter”
April 19, 2008
Ou como os americanos acabam com a graça das coisas.
Em 2004 os tailandeses assustaram o mundo com o filme “Shutter”. A história era bem simples: o casal Tun e Jane está voltando para casa quando atropela uma garota no meio da estrada, passado o susto - e, obviamente, nenhum corpo encontrado - estranhas imagens começam a aparecer nas fotos tiradas por Tun (que calha de ser um fotógrafo profissional). Sim, sim, todos já sabemos, fantasmas nas fotos. Mesmo sendo um clássico enredo de histórias de terror, o filme é bem competente e nos dá vários sustinhos.
O “Shutter” original é dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom, que dirigiram juntos outro filme de terror - Alone (por sinal muito, muito assustador e grande vencedor do Los Angeles Screamfest Horror Film Festival de 2007).
Agora, quatro anos mais tarde, os yankees (cultural respect, yeah!) decidiram fazer sua própria versão de “Shutter”. Por que, meu Deus? Por que? Pra começar, como eles precisavam arrastar o filme pra Ásia - afinal, mulheres orientais são mais assustadoras que as ocidentais - o casal principal, Ben e Jane (!!) se muda pro Japão. Mesma coisa: acidente, susto, fotos de fantasma. Acontece que o filme perdeu muuuuuuuuito do climão que a versão tailandesa tinha. E ficou aquela coisa sem graça.
A versão americana, dirigida por Masayuki Ochiai (nome conhecido entre os fãs de J-Horror por filmes como “Infection” e “Saimin”) e produzida por Roy Lee (responsável pela produção de outros sucessos como “The Ring”) tinha tudo pra funcionar. O protagonista, Joshua Jackson, tem outros filmes de terror no currículo. Estranhamente, não funcionou pra mim.
Uma sociedade mais cética tem sérios problemas em representar, de forma verossímil, a relação das pessoas com o desconhecido. Sempre sinto que as adaptações americanas ficam mais rasas. Vai ver é implicância minha.
“XXY”
April 13, 2008
Produção franco-argentina de 2007. Conta a história de Alex, uma adolescente hermafrodita que vive com os pais em uma isolada praia no litoral uruguaio. Com participações de Ricardo Darín, Valeria Bertuccelli, Carolina Peleritti e Inés Efron no papel de Alex.
O filme, muito elogiado por público e crítica, foi escolhido para encerrar a edição desse ano do Melbourne Queer Film Festival.
O título “XXY” faz referência à Síndrome de Klinefelter, alteração genética que afeta um homem em cada grupe de 500.
Quem mora em Salvador pode conferir o filme no Cinema do Museu (17:35) ou na Sala de Arte da UFBA (20:45) - lembrando que alunos e professores da universidade pagam quatro reais em todas as sessões. Eu recomendo.


