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Pra quem ainda nao tinha me achado…
Ou como pegar uma nação pela barriga.
Os 100 anos da imigração japonesa estão sendo comemorados nos quatro cantos do Brasil. Até aqui em Salvador (!!) rolou um mega evento comemorativo. Bem, mega para padrões baianos. A Bahia, que está longe de ser famosa por sua colônia japonesa, teve que se virar com gueixas afro-descendentes mas até que não fez feio: teve tenda de acupuntura e shiatsu, oficina de bonsai e origami, exibição de animes e filmes sobre a chegada dos imigrantes, festival de dança e música… Como eu disse, não fizeram feio se levarmos em conta a diminuta comunidade japonesa em Salvador. Claro que não dá pra comparar com os eventos em São Paulo. Seria muita crueldade, tadinhos. De qualquer forma, é interessante ver que o ponto alto dessas coisas é sempre a praça de alimentação. Agora aqui no Brasil a febre são as casas de temaki. Primeiro teve o boom do sushi, vocês lembram? Agora é um tal de temakeria aqui e ali que já está dando no saco. Bem, ignorando as filas e o calor, foi muito bom comer pastelzão de feira e sorvete frito e outras cositas sortidas. O melhor do Japão (ou seria de qualquer país?) é a comida e, até onde eu vi pelas minhas andanças, a culinária sempre é o primeiro elemento cultural a ser aceito por estrangeiros. A fome – ou a gula, pouco me importa – diminui as fronteiras do mundo. É até poético. :)
Ou como os americanos acabam com a graça das coisas.
Em 2004 os tailandeses assustaram o mundo com o filme “Shutter”. A história era bem simples: o casal Tun e Jane está voltando para casa quando atropela uma garota no meio da estrada, passado o susto – e, obviamente, nenhum corpo encontrado – estranhas imagens começam a aparecer nas fotos tiradas por Tun (que calha de ser um fotógrafo profissional). Sim, sim, todos já sabemos, fantasmas nas fotos. Mesmo sendo um clássico enredo de histórias de terror, o filme é bem competente e nos dá vários sustinhos.
O “Shutter” original é dirigido por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom, que dirigiram juntos outro filme de terror – Alone (por sinal muito, muito assustador e grande vencedor do Los Angeles Screamfest Horror Film Festival de 2007).
Agora, quatro anos mais tarde, os yankees (cultural respect, yeah!) decidiram fazer sua própria versão de “Shutter”. Por que, meu Deus? Por que? Pra começar, como eles precisavam arrastar o filme pra Ásia – afinal, mulheres orientais são mais assustadoras que as ocidentais – o casal principal, Ben e Jane (!!) se muda pro Japão. Mesma coisa: acidente, susto, fotos de fantasma. Acontece que o filme perdeu muuuuuuuuito do climão que a versão tailandesa tinha. E ficou aquela coisa sem graça.
A versão americana, dirigida por Masayuki Ochiai (nome conhecido entre os fãs de J-Horror por filmes como “Infection” e “Saimin”) e produzida por Roy Lee (responsável pela produção de outros sucessos como “The Ring”) tinha tudo pra funcionar. O protagonista, Joshua Jackson, tem outros filmes de terror no currículo. Estranhamente, não funcionou pra mim.
Uma sociedade mais cética tem sérios problemas em representar, de forma verossímil, a relação das pessoas com o desconhecido. Sempre sinto que as adaptações americanas ficam mais rasas. Vai ver é implicância minha.
Produção franco-argentina de 2007. Conta a história de Alex, uma adolescente hermafrodita que vive com os pais em uma isolada praia no litoral uruguaio. Com participações de Ricardo Darín, Valeria Bertuccelli, Carolina Peleritti e Inés Efron no papel de Alex.
O filme, muito elogiado por público e crítica, foi escolhido para encerrar a edição desse ano do Melbourne Queer Film Festival.
O título “XXY” faz referência à Síndrome de Klinefelter, alteração genética que afeta um homem em cada grupe de 500.
Quem mora em Salvador pode conferir o filme no Cinema do Museu (17:35) ou na Sala de Arte da UFBA (20:45) – lembrando que alunos e professores da universidade pagam quatro reais em todas as sessões. Eu recomendo.



