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Pra quem ainda nao tinha me achado…

É o tempo que falta para eu dar um abraço longo, daqueles que fazem o mundo parar. É o tempo que falta pr’aquele beijo de cinema. É o tempo que falta para eu rever o meu rosto preferido. É o tempo que falta para a espera acabar, para a saudade acabar. É o tempo que falta pra ele chegar.

Querendo ou não a minha vida pausa em Fevereiro. Ontem (!!) começou o Carnaval aqui na Bahia, dando-me uma folga do trabalho que vai até a próxima quinta-feira. Não fosse essa deliciosa folga, aturar a maluquice dessa época do ano seria impossível. Não me levem a mal, não sou assim (tão) ranzinza mas a Bahia tem uma coisas que me matam! Sinto muita falta do Simpatia é Quase Amor, de sair da praia de Ipanema e já me juntar ao povo dançando, cantando, pulando. Com palhaços, havaianas, piratas e travestis. Confetes e serpentina. Aposentados e crianças. Carnaval de rua de verdade. Carnaval livre. Carnaval bonito. Os baianos não entendem, sempre falam “Carnaval do Rio é só pra gringo ver”. Tadinhos! Não sabem que as escolas de samba são só uma parte do Carnaval do Rio. Eles não entem o Suvaco do Cristo, o Bola Preta, a Banda de Ipanema. Aquilo lá é democracia. Aquilo lá é Carnaval de rua. Eu ligo a TV e vejo a Ivete Sangalo mostrando seu trio elétrico luxuoso, vejo os camarotes com sushi e massagem indiana, vejo o uniforme da alegria custando os olhos da cara, vejo a corda. A corda que separa os dois lados do Carnaval da Bahia. A corda que cerca a rua para aqueles que pagaram pelo uniforme. Cordas? Uniformes? Eu quero é sair atrás de bandinha, jogando confete nas pessoas e cantando como se não houvesse amanhã. Os baianos que me desculpem, com sua indústria milhonária e seu Carnaval uniformizado, mas Fevereiro nessa terra é pra mim uma tristeza. Que saudade da Banda Sá Ferreira!

Voltar é sempre estranho. As ruas, as pessoas, as cores… Por um tempo tudo parece irreal. Voltar quando o coração ficou pra trás é ainda mais complicado. Salvador nunca foi pra mim um lar. Salvador sempre foi exílio. Salvador sempre foi pouso de emergência. E agora estou de volta. A vida nessa terra, pra mim sempre tão estrangeira, me absorve outra vez e me arrasta. Ficar nunca foi parte do plano mas ainda é preciso. O coração está longe, muito longe, mas o corpo ainda fica. É a esperança de partir que torna a espera suportável. E eu vou partir. Em breve.

É se perdendo que a gente se encontra, certo? Sinceramente, Paris é um dos melhores lugares do mundo pra se perder (e eu sempre tenho a sensação de aqui a gente encontra tudo, inclusive aquilo de que não precisávamos e pela qual procurávamos – que bobinhos – sem saber).
Mas que delícia sentir o cheiro dessa cidade outra vez!

e o que há pouco era carga e peso de chumbo, foge voando como borboletas ou bolhas de sabão

 

December 2009
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