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Querendo ou não a minha vida pausa em Fevereiro. Ontem (!!) começou o Carnaval aqui na Bahia, dando-me uma folga do trabalho que vai até a próxima quinta-feira. Não fosse essa deliciosa folga, aturar a maluquice dessa época do ano seria impossível. Não me levem a mal, não sou assim (tão) ranzinza mas a Bahia tem uma coisas que me matam! Sinto muita falta do Simpatia é Quase Amor, de sair da praia de Ipanema e já me juntar ao povo dançando, cantando, pulando. Com palhaços, havaianas, piratas e travestis. Confetes e serpentina. Aposentados e crianças. Carnaval de rua de verdade. Carnaval livre. Carnaval bonito. Os baianos não entendem, sempre falam “Carnaval do Rio é só pra gringo ver”. Tadinhos! Não sabem que as escolas de samba são só uma parte do Carnaval do Rio. Eles não entem o Suvaco do Cristo, o Bola Preta, a Banda de Ipanema. Aquilo lá é democracia. Aquilo lá é Carnaval de rua. Eu ligo a TV e vejo a Ivete Sangalo mostrando seu trio elétrico luxuoso, vejo os camarotes com sushi e massagem indiana, vejo o uniforme da alegria custando os olhos da cara, vejo a corda. A corda que separa os dois lados do Carnaval da Bahia. A corda que cerca a rua para aqueles que pagaram pelo uniforme. Cordas? Uniformes? Eu quero é sair atrás de bandinha, jogando confete nas pessoas e cantando como se não houvesse amanhã. Os baianos que me desculpem, com sua indústria milhonária e seu Carnaval uniformizado, mas Fevereiro nessa terra é pra mim uma tristeza. Que saudade da Banda Sá Ferreira!
Ou como pegar uma nação pela barriga.
Os 100 anos da imigração japonesa estão sendo comemorados nos quatro cantos do Brasil. Até aqui em Salvador (!!) rolou um mega evento comemorativo. Bem, mega para padrões baianos. A Bahia, que está longe de ser famosa por sua colônia japonesa, teve que se virar com gueixas afro-descendentes mas até que não fez feio: teve tenda de acupuntura e shiatsu, oficina de bonsai e origami, exibição de animes e filmes sobre a chegada dos imigrantes, festival de dança e música… Como eu disse, não fizeram feio se levarmos em conta a diminuta comunidade japonesa em Salvador. Claro que não dá pra comparar com os eventos em São Paulo. Seria muita crueldade, tadinhos. De qualquer forma, é interessante ver que o ponto alto dessas coisas é sempre a praça de alimentação. Agora aqui no Brasil a febre são as casas de temaki. Primeiro teve o boom do sushi, vocês lembram? Agora é um tal de temakeria aqui e ali que já está dando no saco. Bem, ignorando as filas e o calor, foi muito bom comer pastelzão de feira e sorvete frito e outras cositas sortidas. O melhor do Japão (ou seria de qualquer país?) é a comida e, até onde eu vi pelas minhas andanças, a culinária sempre é o primeiro elemento cultural a ser aceito por estrangeiros. A fome – ou a gula, pouco me importa – diminui as fronteiras do mundo. É até poético. :)
